Discutimos. Como dói discutir contigo. Fazemos de conta que não sentimos nada. As palavras ditas no quentinho dos cobertores são ditas para fazer o quadro o mais belo de todos. O meu corpo fica bem ali, a ser única nos teus braços. Acredito que seja assim. Fazemos de conta que as mensagens trocadas são só para encher o que pode estar vazio. Os problemas são tão grandes vindos do nada. Nada, fazemos do nada tudo numa discussão. Somos os maiores a humilhar o outro. A dizer o pior que nos conseguimos lembrar. E assim vamos acabando por afastar o que sentimos, temos a mania de ser o melhor de todos. Gostamos tanto um do outro que qualquer coisa é o pior pesadelo. Talvez seja por isso. Discutir contigo dá-me prazer quando sei que vamos fazer as pazes em menos de dois minutos. Só assim. O virar as costas é a minha fragilidade. Saber que não te vou continuar a chamar nomes, até me mandares calar. Dói saber que pensas na primeira estação quando és ferido. Eu prefiro mostrar que não me afectou nada, quando é tudo ao contrário. Quando ao virar a cara vou estar a chorar. E a pedir baixinho, não te vás embora, desculpa. E tu vais. E eu vou."Queres dizer mais alguma coisa?","Não, não há mais nada para ser dito".Como adoramos mentir quando estamos a discutir. Ambos sabemos, mas insistimos só para doer mais.
Sem comentários:
Enviar um comentário