Mete medo. Deixa marcas. Faz cicatrizes. Assusta, principalmente. Dá sono. Dá frio. Odeio o fim.
O fim traz memórias antigas. Fotografias com sorrisos. Ou beijos. Deixa-me abalada com o que se diz de forma errada. Sem explicações. Sem saber o que mais se dizer. Eu não sei. Nunca sei. Por gastar tantas palavras e não serem ouvidas. E por tão pouco, o fim não tinha chegado. Mas é assim, a vida é assim. As más opções no momento errado deixam tudo confuso. Voltar atrás depois do que é dito? E do que não é dito? O fim é desagradável para os corações. Para o meu, que tão pequenino é. Para os sorrisos. Não é fácil apagar rostos. Eu não sei. As prendas que se compram e não se chegam a oferecer. Os elogios que se elaboram e não se dizem. Os planos do fim de ano que não se concretizam. Os momentos que podiam ter acontecido e deixam para outro dia. Os telefonemas que se prometem e nunca se fazem. Não quero pensar na culpa, essa é o que menos interessa. Os laços que acabam por se partir, como se de um laçarote se tratasse. O fim. O fim deixa-me as mãos geladas. São defeitos apontados. É o orgulho ferido. É a saudade do inicio. É o pensar que se podia ter feito tanto e não se fez. Tanta coisa podia ter sido diferente. Tantas vezes penso. Podia ter sido diferente. Podia ter sido diferente. Diferente. O fim é ruim, porque se esquece muitas vezes o que fez começar. O fim pode ser o fim do próximo inicio. Ninguém quer lá chegar, faz doer.
O inicio apaga-se, ninguém se esquece do fim quando há fim.